terça-feira, 17 de setembro de 2019

FILOSOFIA (E FILÓSOFOS) HOLÍSTICA QUE NOS INSPIRA: PAULO BORGES


"A grande mudança de paradigma é a da percepção do Real. Libertar-se de Eu e Outro, Sujeito e Objecto. Não ver o mundo, mas ser o mundo, sem conceitos de Ser e Mundo. A grande revolução é a do despertar da Consciência. Esta é a única urgência. Tudo o resto - ética, política, economia - vem por acréscimo. Se ainda houver algo que reste..."

Paulo Borges

Filósofo, Professor, Ensaísta, Escritor e Poeta

QUEM É PAULO BORGES?

Paulo Alexandre Esteves Borges nasceu em Lisboa a 5 de outubro de 1959. É professor, ensaísta, filósofo, poeta e escritor português. Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde 1988 e investigador do Centro de Filosofia da mesma Universidade, onde ensina Filosofia da Religião, Pensamento Oriental, Filosofia e Meditação e Filosofia e Literatura. Professor de Medicina e Meditação na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, desde 2019. Coordenador do Seminário Permanente Vita Contemplativa - Práticas Contemplativas e Cultura Contemporânea e do Núcleo de Investigação de Pensamento Português e Cultura Lusófona no Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Sócio-fundador e membro do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, membro correspondente da Academia Brasileira de Filosofia, membro Fundador da APERel – Associação Portuguesa para o Estudo das Religiões, membro do Conselho de Direcção da Revista Lusófona de Ciência das Religiões, director da revista Cultura ENTRE Culturas, cofundador e ex-presidente (de 2002 a 2014) da União Budista Portuguesa, ex-presidente (de 2004 a 2013) e membro da Direcção da Associação Agostinho da Silva, ex-vice-Presidente da Associação Interdisciplinar para o Estudo da Mente, vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Sociedade de Ética Ambiental. Consultor do Observatório para a Liberdade Religiosa, desde 2015.

Foi Presidente do Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) de 2011 a 2014, tendo-se demitido em 13 de Setembro de 2014, e se desfiliado do partido em 8 de Julho de 2015. Foi candidato, pelo PAN, à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa nas eleições autárquicas de 2013, tendo sido entre nove o 5º candidato mais votado. Nas Legislativas de 2011 ficou a cerca de 3000 votos de ser eleito deputado por Lisboa. Foi candidato anunciado às eleições presidenciais de 2016, com o lema "Outro Portugal Existe".[1]

É Presidente do Círculo do Entre-Ser, associação filosófica e ética, que visa promover uma ética e uma espiritualidade laicas e holísticas, transversais a crentes e descrentes, baseadas no reconhecimento da interdependência de todos os seres e formas de vida. É sócio-fundador e presidente da MYMA Portugal - Associação para a Cultura Contemplativa, desde 2019. Autor do programa de formação reflexiva e meditativa "O Coração da Vida".

Sente-se herdeiro do melhor da visão que, em Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, assume ser vocação de Portugal servir a emancipação das consciências, contribuir para um Novo Mundo alternativo ao esgotamento da civilização tecnocrática, produtivista e consumista e para a criação de uma comunidade ético-espiritual mundial onde se transcendam e harmonizem as diferenças nacionais, culturais, políticas e religiosas. Optou pela via budista tibetana para transcender todas as vias na experiência e partilha do Infinito que sente em si e em todas as coisas.

Praticante da via do Buda desde 1983 e professor de meditação e filosofia budista desde 1999, orientando cursos, workshops e retiros em Portugal e no estrangeiro.

Recebeu um doutoramento "honoris causa" pela Universidade Tibiscus, de Timisoara (Roménia), em 12 de Junho de 2017.

Recebeu o prémio Ibn Arabi Taryumán 2019, atribuído pela MIAS Latina, pela sua investigação e obra no domínio da espiritualidade e do diálogo inter-religioso, em Ávila, na Universidade da Mística, em 11 de Maio de 2019.

OBRAS PUBLICADAS

Trespasse, 1985, (poesia)

Capital, 1988, (poesia)

Ronda da Folia Adamantina, 1992, (poesia)

A Plenificação da História em Padre António Vieira. Estudo sobre a ideia de Quinto Império na “Defesa perante o Tribunal do Santo Ofício”, 1995 (ensaio filosófico)

Do Finistérreo Pensar, 2001, (ensaio filosófico)

Dalai Lama, Estágios da Meditação, 2001 (tradução)

Pensamento Atlântico, 2002, (ensaio filosófico)

O Budismo e a Natureza da Mente, com Matthieu Ricard e Carlos João Correia, 2005, (ensaio filosófico)

Línguas de Fogo. Paixão, Morte e Iluminação de Agostinho da Silva, 2006, (Romance)

Folia. Mistério de Pentecostes em três actos, 2007, (teatro)

Princípio e Manifestação. Metafísica e Teologia da Origem em Teixeira de Pascoaes, 2008, (ensaio filosófico)

A Cada Instante Estamos A Tempo De Nunca Haver Nascido (Aforismos), 2008, (ensaio filosófico)

Da Saudade como Via de Libertação, 2008, (ensaio filosófico)

A Pedra, a Estátua e a Montanha. O V Império no Padre António Vieira, 2008, (ensaio filosófico)

O Jogo do Mundo. Ensaios sobre Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa, 2008, (ensaio filosófico)

Uma Visão Armilar do Mundo. A vocação universal de Portugal em Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, 2010, (ensaio filosófico)

Descobrir Buda. Estudos e ensaios sobre a via do Despertar, 2010.

O Teatro da Vacuidade ou a impossibilidade de ser eu. Estudos e ensaios pessoanos, 2011, (ensaio filosófico)

É a Hora! A mensagem da Mensagem de Fernando Pessoa, Lisboa, Temas e Debates / Círculo de Leitores, 2013.

Padre António Vieira, Defesa Perante o Tribunal do Santo Ofício, introdução, anotação e coordenação da edição, Lisboa, Temas e Debates / Círculo de Leitores, 2014.

Entraña Extraña, Madrid, Amargord, 2014.

Quem é o meu próximo? Ensaios e textos de intervenção por uma consciência e uma ética globais e um novo paradigma cultural e civilizacional, Lisboa, Edições Mahatma, 2014.

O Coração da Vida. Visão, meditação, transformação integral, Lisboa, Edições Mahatma, 2015; 2ª edição, 2017.

Outro Portugal Existe. Uma candidatura-movimento alternativo às presidenciais de 2016, Lisboa, Edições Mahatma, 2015.

A "Ode Marítima" de Álvaro de Campos. Edição com documentos do espólio de Fernando Pessoa e textos interpretativos (com Cláudia Souza e Nuno Ribeiro), Lisboa, Apenas Livros, 2016.

Agostinho da Silva. Uma Antologia Temática e Cronológica, Lisboa, Âncora Editora, 2016, 3ème édition.

A Renascença Portuguesa. Tensões e Divergências (com Bruno Béu), Lisboa, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 2016.

Do Vazio ao Cais Absoluto. Fernando Pessoa entre Oriente e Ocidente, Lisboa, Âncora Editora, 2017.

Meditação, a Revolução Silenciosa. Da mindfulness ao despertar da consciência, Lisboa, Edições Mahatma, 2017.

Vazio e Plenitude ou o Mundo às Avessas. Estudos e ensaios sobre espiritualidade, religião, diálogo inter-religioso e encontro trans-religioso, Lisboa, Âncora Editora, 2018.

O Apocalipse segundo Fernando Pessoa e Ofélia Queirós, Talentilicious, 2017.

Fernando Pessoa. Rafael Baldaya, el Pessoa hermético y ocultista (com Cláudia Souza e Nuno Ribeiro), Madrid, Amargord, 2018.

Os Animais, Nossos Próximos (Antologia do amor humano aos animais) (com Daniela Velho), Lisboa, Edições Mahatma, 2018.

Para mais informações, consultem o site oficial de Paulo Borges em: https://pauloborgesnet.wordpress.com/

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

POESIA HOLOSISTA QUE NOS INSPIRA: "ACORDEI POLIÉDRICA" DE SUZAMNA HEZEQUIEL(2015)



ACORDEI POLIÉDRICA

Acordei herdeira de mim,
filologicamente poliédrica,
ao som de tiorba, com sabor a cravinho,
noz-moscada, pimenta preta e vinagre.

Deixa-me, assim, temperada, só por hoje,
a sós com as minhas matilhas destemperadas,
sem os olhares que ficaram em mim,
os esgares sobre os meus gestos precários
(não os repudio, pois sei que voltarão).

Ergo um templo no centro da Lagoa do Fogo
para assistirmos (em festa) aos fimnerais
dos nossos eus inconclusos.

Contrario - aí - a eutanásia dos sentidos
e tatuo-nos a liberdade, sem cicatrizes hipertróficas,
longe das robóticas fantasmacentas rotinas.

Quero, submissamente, levianar
como boa e rebelde alma expiatória
e viver e sentir e orar muito com prazer
: para que as metáforas te transmutem
as metástases em ametistas
e te embutam libertárias luminárias
- delírios que nos remetem ao clit-Íris que somos,
cada vez com maior acuidade.
Sei que refletir só esta face,
ofusco-te todos os meus ângulos de sossego
; mas assim te reinventarás nomes próprios,
sem pseudónimos, nem heterónimos pornográficos
ou rimas primas em sonetos obsoletos

Amanhã, sim, será o dia-das-não-palavras.

Apenas gestos nossos - gastos a gosto
: texturas e aromas a cores e sabores sem pudores,
surdas-mudas fruições e filiais ternuras

(transparentes, infindos poliedros)

E, então, ninguém falará de "falta de diálogo"
lamentará árvores cortadas
ou invocará o Amor em vão.

suzamna hezequiel
"Pudorgrafia"
Texto Sentido Editora
2015

#MovimentoHolosista #PoesiaHolosistaquenosInspira #PoesiaHolosista #suzamnahezequiel #AcordeiPoliédrica #Poesia #Poema #Pudorgrafia #TextoSentido #2015

PEÇAS DE TEATRO HOLÍSTICO QUE NOS INSPIRAM: "MYSTIC WORLD", DOS SHADOW THEATRE DELIGHT (2018)


Shadow Theatre Delight

"Mystic World"

2018

SINOPSE DA PEÇA

A história da performance conta as aventuras da protagonista no mundo místico, na qual ela cai com a ajuda de uma pedra mágica.

Neste mundo, ela tem que superar o fogo e a água, conhece cristais vivos reais que a levam ao mundo do mar e a escondem em uma bola de água de um imenso polvo vivo. Então a heroína se encontra em um navio pirata abandonado, onde encontra uma pedra de beleza incomum, exatamente a mesma que ela conheceu antes de cair neste mundo místico.

A pedra mágica a atrai para ela e a heroína o toca. Depois disso, o mundo é novamente inflamado por cores ardentes, o principal feiticeiro do mundo místico aparece e chama seu monstro para lutar contra convidados indesejados. Mas a heroína lida com as dificuldades e, com o mesmo sucesso, com a ajuda dessa pedra chega em casa.

Esta performance em 3D do teatro de sombras Delight mergulha o espectador em um verdadeiro conto de fadas místico e tira o fôlego desde o primeiro minuto.

Shadow Theatre Delight
2018

#MovimentoHolosista #TeatroHolistico #ShadowTheatreDelight #MysticWorld #2018

Para mais informações a respeito do trabalho deste grupo, por favor consultem a sua página oficial: https://shadowdelight.org/en 

INSTALAÇÕES ARTÍSTICAS HOLÍSTICAS QUE NOS INSPIRAM: "WEB #5", DE YUKIRO YAMAGUCHI (2015)


Yurico Yamaguchi

"Web #5"

2015

Para mais informações acerca da vida e obra de Yukiro Yamaguchi, por favor consultem o seu site oficial: https://yurikoyamaguchi.com/

#MovimentoHolosista #YurikoYamaguchi #Web#5

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

FILOSOFIA (HOLÍSTICA) QUE NOS INSPIRA: STÉPHANE LUPASCO


"Se você conseguir inverter todas as suas realidades, descobrirá novos e fantásticos mundos bem mais bonitos e acolhedores do que aquele que em está a viver agora."

Stéphane Lupasco
 Filósofo
(1900-1988)

QUEM FOI STÉPHANE LUPASCO?

Stéphane Lupasco nasceu em Bucareste no dia 11 de Agosto de 1900. A sua família pertencia à antiga aristocracia moldávia. O seu pai foi um advogado e político, mas foi sua mãe, pianista e aluna de César Franck, foi a responsável pela mudança da família para Paris em 1916. Após terminar sua educação básica no Lycée Buffon, ele estudou Filosofia, Biologia e Física na Sorbonne e, mais tarde, Direito. Lupasco também participou activamente na vida artística e intelectual de Paris nas décadas de 20 e de 30 do século XX, vindo a defender sua tese de doutoramento em 1935.

Em 1946, Lupasco foi nomeado Investigador Assistente no Centre National de la Recherche Scientifique, um posto que foi obrigado a abandonar devido à inabilidade do Centro em decidir qual a Secção Científica correspondente ao seu trabalho. Os dez ou quinze anos seguintes foram de grande aceitação pelo seu trabalho por parte do público e de outros pensadores, mas não, infelizmente, pelos lógicos e filósofos mais populares do meio académico-científico. A sua obra "Trois Matières" ("Três Matérias"), publicada em 1960, foi um bestseller, e o público passou a tratar Lupasco como o Descartes, o Leibniz, o Hegel do século XX, um novo Claude Bernard, um novo Bergson, etc. Ele continuou a publicar os seus livros nos anos 1970 e 1980, sendo o último "L’Homme et ses Trois Ethiques" ("O Homem e suas Três Éticas"), em 1986, apenas dois anos antes de sua morte em 7 de Outubro de 1988, em Paris. Um prémio da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos em 1984 esteve entre as poucas honras recebidas por Lupasco em vida. 

Lupasco foi um dos membros fundadores do Centro Internacional de Pesquisas e Estudos Transdisciplinares (Centre International de Recherches et Etudes Transdisciplinaires - CIRET), fundado em Paris em 1987 por Basarab Nicolescu, Edgar Morin, René Berger, Michel Random além de outras figuras centrais da intelligentsia francesa. Como Nicolescu recordou mais tarde, Lupasco foi profundamente afetado pela resistência obstinada da comunidade académica em aceitar um debate honesto para discutir seus novos princípios e postulados, e é com amargura compreensível que Lupasco viu nessa resistência um outro exemplo da actuação mesma dos seus princípios.

Foi um dos subscritores da célebre Declaração de Veneza de 1986 (resultante de um colóquio realizado na Fundação Giorgio Cini, realizada entre os dias 3 e 7 de Março de 1986).

O estilo de Lupasco enquanto escritor não é dos mais fáceis, e requer ininterrupta atenção do leitor. Não é incomum encontrar períodos de quase uma página de extensão, contendo múltiplas orações aninhadas. A sua escrita é extremamente densa em termos de ideias e do significado de cada frase sucessiva, e contém somente alguns poucos exemplos ilustrativos ocasionais. Lupasco faz muitas referências às suas publicações anteriores, infelizmente, sem apresentar adequada indexação. Tal como notou Nicolescu, a exclusão de Lupasco da vida académica francesa resultou tanto em vantagens quanto em desvantagens: Lupasco libertou-se das limitações do ensino e da publicação de trabalhos de pesquisa num formato rígido, e ele, obviamente, não viu necessidade disciplinante de aplicar o fornecimento de referências para as suas fontes. No livro "Psychic Universe", publicado quando Lupasco tinha setenta e nove anos de idade, o leitor não encontra qualquer tipo de informação acerca de estudos, então correntes, em psiquiatria. (Lupasco infelizmente não lia inglês muito bem, e por isso referências à "antipsiquiatria" de Ronald Laing e Gregory Bateson, tão próxima em espírito a seu próprio trabalho, não foram encontradas.) Um estudo recente feito por Brenner (2008) actualiza o trabalho de Lupasco e mostra a sua relevância às questões actuais no campo da ciência e filosofia, assim como na lógica.

Lupasco não foi bem apresentado pelos (poucos) exegetas  que olhavam de perto o seu trabalho. Apenas um livro, da autoria do sociólogo Marc Beigbeder, apresenta tanto uma descrição substancial da teoria de Lupasco quanto um desenvolvimento da mesma como uma "lógica da sociedade". Uma monografia breve, escrita pelo filósofo Benjamin Fondane, que data de 1944 (pouco antes de sua deportação e morte), foi publicada em 1998 e discute as supostas limitações da visão de Lupasco no que se refere à afetividade e à ontologia. Um livro publicado por um obscuro artista Inglês, George Melhuish, utiliza ideias de Lupasco para desenvolver o seu próprio conceito de estrutura do Universo, uma leitura simpática, mas não muito rigorosa de sua obra. O autor deste artigo tinha uma dívida com Nicolescu em virtude do acesso a estes e vários outros textos da sua biblioteca pessoal, os quais, de outra forma, permaneceriam totalmente indisponíveis. Um entendimento completo da análise de Lupasco a esses precursores — que André Glucksmann chamou de "Les Maîtres Penseurs", isto é, Kant, Hegel, Schopenhauer e Marx - deve ser procurado em vários livros diferentes. A atenção do leitor é recompensada, no entanto, por reformulações regulares de Lupasco das suas teses básicas, muitas vezes expressas, nessas revisões, de maneiras muito mais económicas, significativas e coerentes.

Na sua introdução ao livro "Princípio de Antagonismo e Lógica da Energia", de Lupasco, Nicolescu aponta a perfeita acessibilidade da linguagem do autor, uma vez que o leitor ultrapasse as (relativamente poucas) fórmulas matemáticas do livro. "A obra exemplifica, de forma auto-referencial, os aspectos ternários de 'potencialização', 'actualização' e 'terceiro incluído' que lhe dão o charme e o privilégio de encantamentos que são ao mesmo tempo científicos, filosóficos e poéticos".

Resumindo brevemente, estimulado pelos trabalhos de Einstein e pela Mecânica Quântica, Lupasco fundou uma nova lógica, questionando a Lei do terceiro excluído — tertium non datur —, um princípio da lógica clássica. Ele introduziu um terceiro estado, indo além do Princípio da Dualidade, o estado-T. O estado-T não é 'actual', nem 'potencial' (categorias que substituem no sistema de Lupasco os valores "verdadeiro" ou "falso" da lógica bivalente padrão), mas uma resolução dos dois elementos contraditórios num nível mais elevado da realidade ou complexidade. Lupasco generalizou a sua lógica para incluir física e epistemologia e, sobretudo, uma nova teoria da consciência.

Deve-se a ele a Teoria da Trialética, que está na origem da  Triskle - o símbolo oficial do Movimento Holosista.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

EXEMPLO DE UMA EXPOSIÇÃO DE ARTE HOLOSISTA EM HOLOGRAMAS (Adrien M & Claire B)


Adrien M & Claire B

"Mirages & Miracles"

BIAC 2019

Para todos aqueles que desejam fazer parte e participar no Movimento Holosista, aqui vos deixo um exemplo de um tipo de exposição de Arte Holosista, onde o real e o Irreal (neste caso, o Holograma) se cruzam numa simbiose perfeita, como se o objecto e o sujeito interagissem entre si como partes de um todo que é a Criação Pura. 

Neste caso, servi-me de um vídeo de uma exposição de Arte Holográfica de Adrien M & Claire B (Ver post anteriores) intitulada "Mirages & Miracles" inserida na BIAC 2019.

O que é que acham?

Tiago Moita.

P.S: Se quiserem outro exemplo, deixo-vos este dos mesmos criadores que mencionei neste post.



segunda-feira, 15 de julho de 2019

FILOSOFIA (HOLÍSTICA) PURA QUE NOS INSPIRA: PIERRE TEILHARD DE CHARDIN


"Um dia, depois de dominar os ventos, as ondas, as marés e a gravidade, vamos aproveitar as energias do Amor de Deus, e depois, pela segunda vez na História do Mundo, o Homem irá descobrir o fogo."

Pierre Teilhard de Chardin

Padre Jesuíta, Filósofo, Teólogo e Palenteólogo Francês 

1881-1955

QUEM FOI PIERRE TEILHARD DE CHARDIN?

Pierre Teilhard de Chardin (Orcines, 1 de maio de 1881 — Nova Iorque, 10 de abril de1955) foi um padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que tentou construir uma visão integradora entre a Ciência e a Teologia. Através de suas obras, legou para a sua posteridade uma filosofia que reconcilia a Ciência do mundo material com as forças sagradas do Divino e sua Teologia. Disposto a desfazer o mal-entendido entre a Ciência e a Religião, conseguiu ser mal visto pelos representantes de ambas. Muitos colegas cientistas negaram o valor científico de sua obra, acusando-a de vir carregada de um misticismo e de uma linguagem estranha à Ciência. Do lado da Igreja Católica, por sua vez, foi proibido de leccionar, de publicar as suas obras teológicas e submetido a um quase exílio na China.

Embora muitos dos escritos de Teilhard tenham sido censurados pela Igreja Católica durante a sua vida, por causa de seus pontos de vista sobre o pecado original, o trabalho de Teilhard foi reconhecido postumamente por esta. Teólogos proeminentes e líderes da Igreja, incluindo os papas João Paulo II e Bento XVI, escreveram positivamente a respeito de suas ideias e os seus ensinamentos teológicos foram citados pelo Papa Francisco na encíclica de 2015 , "Laudato si". No entanto a resposta a seus escritos por biólogos evolutivos tem sido, com algumas exceções, decididamente negativa.

"Aparentemente, a Terra Moderna nasceu de um movimento anti-religioso. O Homem bastando-se a si mesmo. A Razão substituindo-se à Crença. A nossa geração e as duas precedentes quase só ouviram falar de conflito entre Fé e Ciência. A tal ponto que pode parecer, a certa altura, que esta era decididamente chamada a tomar o lugar daquela. Ora, à medida que a tensão se prolonga, é visivelmente sob uma forma muito diferente de equilíbrio – não eliminação, nem dualidade, mas síntese – que parece existir uma forma de se resolver o conflito."

Pierre Teilhard de Chardin, in "O Fenómeno Humano"

Criado numa família profundamente católica, Chardin entrou para o noviciado da Companhia de Jesus em Aix-en-Provence no ano de 1899 e para o juniorado em 1900, em Laval. Era a época das reformas liberais de Waldeck-Rousseau, que retirara das universidades católicas o direito de conceder graus e posteriormente dissolveu as ordens religiosas e expulsou vinte mil religiosos da França Por este motivo, teve que deixar a França e os seus estudos prosseguiram na ilha de Jersey, Inglaterra, onde formou-se em filosofia e letras. Licenciou-se neste curso em 1902. Entre 1905 e 1908 foi professor de física e química no colégio jesuíta da Sagrada Família do Cairo, no Egipto, onde teve a oportunidade de continuar suas pesquisas geológicas, iniciadas na Inglaterra. Os seus estudos de teologia foram retomados em Ore Place, de 1908 a 1912. Ordenou-se sacerdote em 1911.

Entre 1912 e 1914 cursou paleontologia no Museu de História Natural de Paris. Foi a sua porta de entrada na comunidade científica. Durante seus estudos teve a oportunidade de visitar os sítios pré-históricos do noroeste da Espanha, entre eles, a Caverna de Altamira.

Durante a Primeira Guerra Mundial, foi carregador de maca dos feridos e depois capelão em diversas frentes de batalha.

Após a Guerra, retomou os estudos em Paris, onde obteve o doutorado em 22 de março de 1922 na Universidade de Sorbonne com a tese: Os mamíferos do eoceno inferior francês e seus sítios. Em 1920 tornara-se professor de geologia no Instituto Católico de Paris. O ambiente intelectual de Paris proporcionou-lhe encontros fecundos para o exercício intelectual. Costumava apresentar suas ideias a plateias de jovens leigos, seminaristas e professores. Do ponto de vista teológico, já assumira as ideias evolucionistas e realizava uma síntese original entre a ciência e a fé cristã.

Em 1922, escreveu "Nota sobre algumas representações históricas possíveis do pecado original", que gerou um dossiê pela Santa Sé, acusando-o de negar o dogma do pecado original. Teve que assinar um texto que exprimia este dogma do ponto de vista ortodoxo e foi obrigado a abandonar a cátedra em Paris e embarcar para Tianjin na China. Este facto marcará uma nova etapa da sua vida: o silêncio sobre temas eclesiais e teológicos que duraria o resto da sua vida. Foi-lhe permitido trabalhar em pesquisas científicas e suas publicações deveriam ser cuidadosamente revisadas.

Embora proibido de escrever sobre temas eclesiais e teológicos, os seus superiores imediatos estimularam as suas pesquisas e escritos, desde que sua ortodoxia fosse assegurada por uma séria revisão, com a esperança de uma publicação posterior.

Em Pequim, realizou diversas expedições paleontológicas, e em 1929 participou da descoberta e estudo do sinantropo - o homem de Pequim. Também realizou pesquisas em diversos lugares do continente asiático, como o Turquestão, a Índia e a Birmânia.

Entre novembro de 1926 e março de 1927, estimulado pelo editor da coleção de espiritualidade Museum Lessianum, escreveu "O Meio Divino" a partir de suas notas de retiro. A obra foi submetida a dois censores romanos, que a consideraram aceitável. Ao ser submetida ao Imprimatur, o cónego encarregado submeteu a obra aos teólogos romanos, que a consideraram suspeita pela originalidade. Apesar disto, cópias inéditas da obra passaram a circular, datilografadas e policopiadas.

Em Pequim, escreveu sua obra prima: "O Fenómeno Humano". Encaminhou a obra a Roma em 1940, que prometeu o exame por teólogos competentes. Várias revisões foram encaminhadas sem que o nihil obstat fosse concedido.

Em 1946 retornou a Paris. Seus textos mimeografados continuavam a circular e suas conferências lotavam os auditórios. Foi convidado a lecionar no Collège de France. Diante de ameaças de novas sanções pela Santa Sé, dirige-se a Roma em 1948. A visita foi inútil: foi proibido de ensinar no Colégio da França e a publicação do "Fenómeno Humano" não foi autorizada.

Entre 1949 e 1950 deu cursos na Sorbonne que geraram a obra "O grupo zoológico humano". Em 1950 foi eleito membro da Academia de Ciências do Instituto de Paris.

Em 1950, foi promulgada a encíclica Humani Generis pelo papa Pio XII, que na opinião de Chardin, bombardeava as primeiras linhas de seu trabalho.

Em 1951, mudou-se para Nova York, a convite da Fundação Wenner-Gren, que patrocinou duas expedições científicas em África para pesquisar as origens do homem sob a sua coordenação.

Teilhard de Chardin faleceu em 10 de abril de 1955, num domingo de Páscoa, em Nova York. No campo científico deixou uma obra vasta: cerca de quatrocentos trabalhos em vinte revistas científicas.

No campo filosófico, o seu pensamento pode ser editado por um comité internacional porque ele deixou o direito das suas obras para um colega, não para a sua ordem religiosa. No mesmo ano de sua morte, as Éditions du Seuil lançaram o primeiro volume das obras de Teilhard de Chardin.

O Santo Ofício solicitou ao Arcebispo de Paris que detivesse a publicação das obras. Em 1957, um decreto deste mesmo órgão decidiu que estes livros fossem retirados das bibliotecas dos seminários e institutos religiosos, não fossem vendidos nas livrarias católicas e não fossem traduzidos. Este decreto não teve muita adesão. Cinco anos mais tarde, uma advertência foi publicada, solicitando aos padres, superiores de Institutos Religiosos, seminários, reitores das Universidades que protejam os espíritos, principalmente o dos jovens, contra os perigos da obra de Teilhard de Chardin e seus discípulos. Segundo esta advertência, "sem fazer nenhum juízo sobre o que se refere às ciências positivas, é bem manifesto que, no plano filosófico e teológico, estas obras regurgitam de ambiguidades tais e até de erros graves que ofendem a doutrina católica".

A sua obra continuou a ser editada, chegando ao décimo terceiro volume em 1976, pelas Éditions du Seuil e foi traduzida em diversos idiomas. O seu trabalho teve uma grande repercussão, gerando diversos estudos a cerca de sua obra até nos dias atuais.

Em 12 de maio de 1981, por ocasião da comemoração do centenário do seu nascimento, Chardin teve sua obra reconhecida pela Igreja através de uma carta enviada pelo cardeal Agostino Casaroli, secretário de Estado do Vaticano, ao reitor do Instituto Católico de Paris. A carta afirma:

Sem dúvida, o nosso tempo recordará, para além das dificuldades da concepção e das deficiências da expressão dessa audaciosa tentativa de síntese, o testemunho da vida unificada de um homem aferrado por Cristo nas profundezas do seu ser, e que teve a preocupação de honrar, ao mesmo tempo, a fé e a razão, respondendo quase que antecipadamente a João Paulo II: "Não tenham medo, abram, escancarem as portas a Cristo, os imensos campos da cultura, da civilização, do desenvolvimento"

As suas ideias foram sendo incorporadas ao discurso oficial da Igreja, como depreende-se da mensagem do Papa Bento XVI por ocasião da Festa da Santíssima Trindade de 2009, dirigida aos fieis em Roma: "Em tudo o que existe, encontra-se impresso, em certo sentido, o "nome" da Santíssima Trindade, pois todo o ser, até as últimas partículas, é ser em relação, e deste modo se transluz o Deus-relação; transluz-se, em última instância, o Amor criador. Tudo procede do amor, tende ao amor e se move empurrado pelo amor, naturalmente, segundo diferentes níveis de consciência e de liberdade."… "Utilizando uma analogia sugerida pela Biologia, diríamos que o ser humano tem no próprio "genoma" um profundo selo da Trindade, do Deus-Amor". E ainda mais claro, no dia 24 de Julho em Aosta, Italia o Papa Bento XVI diz: "Nós mesmos, com todo o nosso ser, temos que ser adoração e sacrifício, restituir o nosso mundo a Deus e assim transformar o mundo. A função do sacerdócio é consagrar o mundo a fim de que se torne hóstia viva, para que o mundo se torne liturgia: que a liturgia não seja algo ao lado da realidade do mundo, mas que o próprio mundo se torne hóstia viva, se torne liturgia. É a grande visão que depois teve também Teilhard de Chardin: no final teremos uma verdadeira liturgia cósmica, onde o cosmos se torne hóstiachita

Como geopaleontólogo, Teilhard de Chardin estava familiarizado com as evidências geológicas e fósseis da evolução do planeta e da espécie humana. Como sacerdote cristão e católico, tinha consciência da necessidade de um metacristianismo que contribuísse para a sobrevivência do planeta e da humanidade sobre ele . No cerne da questão está a visão filosófica, teológica e mística de Teilhard de Chardin a respeito da evolução de todo o Universo, do caos primordial até o despertar da consciência humana sobre a Terra, estágio esse que, segundo ele, será seguido por uma Noogénese, a integração de todo o pensamento humano em uma única rede inteligente que acrescentará mais uma camada em volta da Terra: a Noosfera, que recobrirá todo o Biosfera Terrestre. A orientar todo esse processo, existe uma força que age a partir de dentro da matéria, que orienta a evolução em direcção a um ponto de convergência: o Ponto Ómega. Teilhard sustentava a ideia de um Panteísmo cósmico: a crença de que Deus e o Universo mantém uma criativa e dinâmica relação de progressiva evolução.

Como escritor, a sua obra-prima é O Fenómeno Humano, além de centenas de outros escritos sobre a condição humana. Como paleontólogo, esteve presente na descoberta do Homem de Pequim. Ainda que ele esteve presente depois do descobrimento do “Piltdown Man” a evidência aponta a o facto que ele nunca perdeu prestígio com a falsificação de um suposto fóssil "O Homem de Piltdown". Como Teilhard disse em 1920: "anatómicamente as partes não cabem."

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